O tempo voa!
- Raquel Freire Coêlho
- 17 de jul. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: 12 de fev.

Quem nunca teve a sensação de que o tempo passou voando ou ouviu essa frase em uma conversa rotineira? Especialmente na época do Natal, é comum ouvir: "Esse ano passou voando, nem vi!" Mas o que está por trás dessa sensação? Será que o tempo realmente está passando mais rápido?
Tempo e Memória

A percepção do tempo está intrinsecamente ligada à nossa memória. Estimamos quanto tempo passou a partir das lembranças que temos desse período. Esse é o chamado tempo subjetivo.
Com o passar dos anos, o tempo parece acelerar. Mas por quê?
Explicações para a Sensação de Aceleração do Tempo
Um estudo realizado nos EUA com pessoas de diferentes faixas etárias investigou essa sensação e testou quatro possíveis explicações:
1) Forward Telescoping: sugere que temos a tendência de subestimar a idade de eventos, classificando-os como mais recentes do que realmente são. Isso é similar a um objeto visto através de um telescópio, que parece mais próximo do que realmente está. Por exemplo, você pode ter a sensação de que algo aconteceu no ano passado, mas na verdade foi há 3 anos!
2) Menor Número de Eventos Marcantes: Esta explicação sugere que julgamos o tempo pela quantidade de eventos marcantes. Quando temos menos eventos significativos em um determinado período, ele parece passar mais rapidamente. Imagine um ano em que poucas coisas diferentes ou memoráveis aconteceram; ele pode parecer mais curto em retrospecto.
3) Dificuldade de Evocação: À medida que envelhecemos, podemos ter mais dificuldades para recordar eventos. Isso leva a menos memórias evocadas e, consequentemente, a uma sensação de que o tempo passou mais rápido.
4) Pressão Temporal: Sentir que temos pouco tempo para cumprir muitas tarefas, demandas e prazos faz com que o tempo pareça passar mais rápido, especialmente em períodos de alta exigência.
Entre essas explicações, a pesquisa indicou que a percepção da pressão temporal é a explicação mais forte para entender por que a vida parece acelerar à medida que envelhecemos. No entanto, o autor admite limitações no estudo e aponta que outros fatores, como as emoções, também podem contribuir para este fenômeno. Mais investigações são recomendadas.

Essas explicações fazem sentido para você? Como você tem percebido a passagem do tempo em sua vida?
Um Olhar Curioso para Si Mesmo:
Reflexões sobre Tempo e Psicoterapia
A ciência observa com um olhar curioso para fatos comuns do nosso cotidiano. A partir desses entendimentos e descobertas, podemos encontrar novas formas de interpretar nossa realidade. O espaço da psicoterapia se assemelha à ciência nesse ponto: nos tornamos curiosos sobre nós mesmos. Olhamos para comportamentos, pensamentos e sensações que por vezes pareciam comuns e cotidianos a partir de um novo olhar.
Te convido a olhar para sua história individual e refletir sobre sua trajetória. Como foi o último ano? Aconteceram muitos eventos importantes ou sua vida está estagnada? Como você percebeu o tempo? Passou voando ou arrastado? Você tem vivido mais preso ao passado, no momento presente ou com foco no futuro?
Como a psicoterapia pode ajudar?
A psicoterapia pode ser um meio eficaz para lidar com a percepção de pressão temporal, ajudando a lidar com o estresse dessa situação, proporcionando estratégias de enfrentamento, técnicas de relaxamento e apoio emocional para reduzir a tensão e melhorar a qualidade de vida. Também pode ajudar a gerenciar melhor nosso tempo e a compreender e aceitar nossas emoções. Além disso, é um espaço de autoconhecimento onde podemos explorar nossas próprias experiências e emoções com profundidade.
Se a questão é uma dificuldade de evocar memórias, um profissional habilitado pode ajudar a entender se as dificuldades são sinais de alerta para déficits cognitivos ou bloqueios emocionais.
Referências:
Fradera, A., & Ward, J. (2006). Placing events in time: The role of autobiographical recollection. Memory, 14(7), 834–845. https://doi.org/10.1080/09658210600747241
Fraisse, P. (1984). Perception and Estimation of Time. Annual Review of Psychology, 35(Volume 35, 1984), 1–37. https://doi.org/10.1146/annurev.ps.35.020184.000245
Janssen, S. M. J. (2017). Autobiographical Memory and the Subjective Experience of Time. Timing & Time Perception, 5(1), 99–122. https://doi.org/10.1163/22134468-00002083



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